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História e Origem: Aveia Coloidal (farinha de aveia)

Há muito que os banhos de aveia são recomendados a pessoas com vários tipos de problemas de pele sensível, providenciando um efeito suave e reconfortante. A textura da aveia coloidal, juntamente com os seus componentes benéficos como as proteínas, lípidos e saponinas fazem com que seja adequada para utilização em cremes hidratantes, géis de limpeza e outros produtos que ajudam a limpar, suavizar e proteger a pele.

A utilização de aveia nos cuidados da pele remonta ao Antigo Egito. (1) Era usada aveia integral ou em flocos em banhos relaxantes. A aveia usada desta forma não dispersava bem no banho e tornava-se pouco prática. Em 1945, o desenvolvimento tecnológico permitiu a produção de aveia coloidal, preparada a partir de aveia descascada moída até se tornar um pó fino. O primeiro tratamento de banho de aveia coloidal pronto a usar foi realizado na Mayo Clinic em 1945. A aveia coloidal retém o efeito hidratante do grão de aveia integral, mas dispersa-se mais facilmente na água do banho, podendo igualmente ser adicionada a cremes e loções para utilização em produtos tópicos.

Cultivo e Colheita

Os produtores de AVEENO® produzem a aveia coloidal a partir de aveia (avena sativa) cultivada em regiões que asseguram um ambiente ideal para o desenvolvimento da aveia, combinando solo adequado e bem drenado com um clima mais frio. As temperaturas mais baixas e a pouca humidade destas áreas são também vantajosas durante o armazenamento, reduzindo o risco de problemas de conservação. A aveia coloidal é feita de aveia que passa por várias etapas de processamento até chegar ao pó de aveia coloidal extra fino.

Processamento

O processo de fabrico da aveia coloidal é um processo realizado sem a utilização de solventes químicos. Para a produção da aveia coloidal são selecionados os grãos de aveia com um teor proteico superior. Uma vez colhida, a aveia é armazenada num elevador de moinho. Os grãos são limpos para remover todos os elementos estranhos, grãos imperfeitos, ervas daninhas e outros grãos. São então descascados para remover o invólucro ou casca que envolve o grão, obtendo assim os grãos de aveia. Para reduzir o tamanho dos grãos e iniciar o processo de redução do tamanho das partículas, são usadas lâminas de aço. Os grãos são submetidos a tratamento por aquecimento a vapor para efeitos de estabilização e para reduzir os ácidos gordos livres para o nível mais baixo possível. Isto ajuda a destruir as bactérias, preparando o grão para a prensagem, integridade do floco e para uma adequada retenção de água.

A aveia contém vários sistemas de enzimas. A lipase é uma das enzimas mais abundantes na aveia, sendo a que provoca a hidrólise ou o ranço na aveia, tendo por isso que ser desativada para estabilizar a aveia. A sua desativação por aquecimento a vapor reduz a libertação de ácidos gordos livres que poderão irritar a pele. É essencial realizar este processo no momento certo, já que o ranço pode principar-se poucas horas depois da aveia em grão ter sido descascada. A aveia é então prensada ou esmagada e depois pulverizada até ao tamanho de partícula desejado, resultando em aveia coloidal. Este pó fino é então armazenado numa área com temperatura e humidade controladas. A aveia coloidal usada nos produtos AVEENO® é processada numa linha de produção dedicada que assegura elevados padrões de qualidade.

Composição e Atividade

A aveia coloidal é obtida através da moagem da semente integral. Todos os componentes são preservados: aproximadamente 60% de polissacarídeos, 10-18% de proteínas (ácido glutamínico-ácido aspártico…), 5% de lípidos (fosfolípidos, esteróis…), enzimas, vitaminas, flavonoides e ácidos fenólicos (avenantramidas). (18)

  • A aveia pode ajudar a restaurar o pH normal da pele em problemas de pele em que o pH tenha aumentado. Nestes casos, atua como agente tamponizante, ajudando assim à manutenção de uma barreira da pele saudável.(3,4)
  • As propriedades hidratantes da aveia coloidal são conferidas pela sua capacidade humectante e de retenção de água e lípidos, conferida por uma película hidrofílica que se forma na superfície da pele.
  • Os amidos são constituintes importantes da aveia coloidal. São altamente hidrofílicos e conseguem absorver grandes quantidades de água.(5,6) As proteínas contidas na aveia coloidal contribuem para a sua afinidade com a água.(6,7) A composição lipídica única da aveia coloidal (7) ajuda à formação de uma película na superfície da pele.(4,8) Triglicéridos e fosfolípidos da aveia, bem como ácidos oleico, linoleico e linolénico, que estão contidos nos lípidos da aveia, são importantes componentes do estrato córneo.(8)
  • A aveia coloidal assegura uma limpeza suave sem perda do teor de humidade da pele. Ajuda assim a prevenir a pele seca e os sinais clínicos associados à pele seca.(4)

Tabela 1: Componentes, beneficios, Aplicações da Aveia Coloidal

Extratos de Aveia

A aveia contém vários compostos ativos – saponinas, flavonoides, minerais, alcalóides, compostos esteroides, vitaminas e caroteno – bem como o mais elevado teor de proteína (15 a 20%) e lípidos (3 a 11%) de qualquer grão. O componente lipídico é protegido da oxidação por compostos antioxidantes naturais tais como as avenantramidas.

As avenantramidas são os principais antioxidantes polifenólicos presentes nos grãos de aveia, demonstrando maior atividade antioxidante (10 a 30 vezes mais) do que a de outros compostos fenólicos de aveia como a vanilina ou ácido cafeico e cinco vezes mais do que a de flavonoides da aveia.9,10

A atividade antioxidante tem sido associada a fatores estruturais como a presença de ligações de amina e o número e posição de grupos hidroxilo. Vollhardt et al (10) comparou as propriedades funcionais de sete frações de aveia (avenantramidas, flavonoides, saponinas, açúcar e aminoácidos, soda, proteínas e lípidos) na redução do eritema da pele induzido por raios UV, medido pela alteração da cor da pele, 24 horas após aplicação e verificou que as avenantramidas tinham a maior atividade de entre elas.

Comparação de sete frações de aveia na redução do eritema (10)

As avenantramidas também demonstraram fortes propriedades anti-irritantes. O efeito anti-irritante pode resultar em menor hipersensibilidade ao contacto. Pode também ajudar a reduzir a irritação secundária induzida pela comichão que pode ocorrer em pele muito seca com prurido, evitando as perturbações da função barreira da pele.(11)

O óleo de aveia é um componente separado das avenantramidas e aveia coloidal. A aveia é geralmente considerada como possuindo o mais elevado teor de lípidos de entre todos os grãos de cereais (~ 7% a 10%) e como uma excelente fonte de ácidos gordos insaturados.11-13 O óleo de aveia é uma mistura de componentes lipídicos, cada um com as suas próprias propriedades biológicas. Quando fracionado, verifica-se que o óleo de aveia é composto por cerca de 50% de triglicéridos, 14% de mono- e diglicéridos e 10% de ácidos gordos livres, com pequenas quantidades de esteróis, fosfatidil colina, fosfatidil etanolamina e outros compostos, todos eles influenciados em alguma medida pelas condições de cultivo, genética da planta e pelo método de extração de lípidos.11-13 Os lípidos de aveia contêm cerca de 80% de ácidos gordos insaturados, que por sua vez são cerca de 42% a 52% de ácido linoleico. O ácido linoleico tem-se revelado eficaz na redução da perda de água transepidérmica e no restauro da barreira de permeabilidade da pele.14-15

Formulação

As propriedades físicas e químicas da aveia são únicas e exigem um conhecimento aprofundado da formulação para assegurar a dispersão uniforme da aveia coloidal, manter a espuma nos produtos de limpeza de base coloidal e garantir a preservação das fórmulas. Os cientistas da AVEENO® têm anos de experiência no desenvolvimento de produtos com aveia para fornecer fórmulas de produtos eficazes, estáveis e esteticamente agradáveis contendo aveia.

Referências

1. Miller A. Oat derivatives in bath products. Cosmet Toiletries 1979;94:72-80.
2. Rinaldi, Fabio, Rigano, Luigi. Colloidal Oatmeal, Characteristics, Properties, Clinical Applications. Scientific Library of Rydelle Laboratories; 35-43.
3. Johnson & Johnson, Skillman, NJ; dados em ficheiro.
4. Grais ML. Role of colloidal oatmeal in dermatologic treatment of the aged. AMA Arch Derm Syphilol 1953; 68:402-407.
5. Paton D. (1986) Oat starch: physical, chemical and structural properties. Em: Webster FH, ed., Oats: Chemistry and Technology. Saint Paul, MN, American Association of Cereal Chemists, Inc.93-120.
6. Rawlings AV et al. (2002) Humectants. Em: Skin Moisturization. Leyden and Rawlings Eds. New York, NY. Marcel Dekker, Inc.; 245-266.
7. Peterson DM, Brinegar AC. Oat storage proteins. Em: Webster FH, ed. Oats: Chemistry and Technology. St. Paul, MN: American Association of Cereal Chemists, Inc. 1986;153-203.
8. Zhou M, Robards K, Glennie-Holmes M et al. Oat lipids. J. Am Oil Chem Soc. 1999;76:159-169.
9. Meydani M. Potential health benefits of avenanthramides of oats. Nutr Rev 2009;67(12):731-735.
10. Vollhardt J, Fielder DA, Redmont MJ. Identification and cosmetic application of powerful anti-irritant constituents of oat grain. XXI IFSCC International Congress 2000, Berlim. Atas; 395-402.
11. Banas A, Debski H, et al. Lipids in grain tissues of oat (Avena sativa): differences in content, time of deposition, and fatty acid composition. Journal of Experimental Botany, Vol 58, No. 10, pp. 2463-2470, 2007. 12. Youngs VL. Oat Lipids. Cereal Chem. 55(5):591-597.
13. Holland JB, Frey KJ, Hammond EG. Correlated responses of fatty acid composition, grain quality and agronomic traits to nine cycles of recurrent selection for increased oil content in oat. Euphytica 122: 69-79, 2001.
14. Ziboh VA, Miller CC, Cho Y. Metabolism of polyunsaturated fatty acids by skin epidermal enzymes: generation of anti-inflammatory and antiproliferative metabolites. Am J Clin Nutr. 2000; 71 (suppl):361S- 366S.
15. Potter RC, Castro JM, Moffatt LC, inventors; Nuture, Inc, assignee. Oat oil compositions with useful cosmetic and dermatological properties. US Patent 5620692. 15 de Abril de 1997.

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